Rádio Líder do Vale

9 de nov de 2012

Tributo a um Guerreiro II “Me liga a qualquer hora, meu telefone, é um fone militante, esta disponível vinte e quatro horas por dia”. Render homenagens a um companheiro que dedicou sua vida para a luta do combate ao racismo e a promoção da igualdade de direitos e oportunidades raciais, é o mínimo a fazer para não deixar se apagar da memória de muitos militantes, tanto negros como não negros que conheceram José Alves Bittencourt, o “nego Lua” apelido ao qual gostava de ser chamado e por muitas vezes substituiu seu próprio nome oficialmente. Talvez este apelido despretensioso não tenha sido dado em função da dimensão da luta deste guerreiro, mas o certo é que, não existe à noite sem lua, ainda que a mesma por vezes encontre-se encoberta por algumas nuvens, guardadas as devidas proporções não existe luta do povo negro gaúcho contemporâneo sem a lembrança do nego Lua. Necessário dizer, quando vimos alguns negros se destacando no cenário nacional, seja na vida pública, nas artes, na cultura, no esporte ou mesmo na iniciativa privada, certamente para que estes possam destacar-se e desfrutar da liberdade conquistada, muitos, vários e ate milhares de abnegados guerreiros como o “lua” lutaram para que isto pudesse hoje estar acontecendo. Outros ainda conquistarão a sua emancipação social, politica, econômica e cultural desfrutando das glórias e das vantagens da luta dos que tombaram. Por isso, neste mês da consciência negra (que deveria ser o ano inteiro), e na data da partida rumo à outra dimensão do companheiro Lua, convidamos a todos para refletir sobre nosso papel na sociedade, sobretudo os beneficiários das politicas de ações afirmativas, mas fundamentalmente os que gozam de liberdade de pensamento para não esquecermos quem somos de onde viemos, e qual legado deixaremos as futuras gerações. Para além das demandas e das denuncias, são muitas, cumpre-nos honrarmos a memória daqueles e aquelas que tombaram peleando, fazendo a sua parte para que hoje pudéssemos estar aqui testemunhando sobre este legado. Portanto caríssimos leitores, façamos a nossa parte, pode ser de maneira muito singela, relembrando a luta deste guerreiro, com certeza não é única, mas serve para todos aqueles que de uma forma ou de outra, empreenderam esforços em prol da causa da comunidade negra, que ainda esta longe de ser superada. Reconhecemos as conquistas sim, mas ainda há muito a ser conquistado, por isso a luta continua, até porque, “se não lutar, não muda”. Salve Lua, Salve todos os guerreiros e guerreiras que tombaram lutando. Ivan Braz Militante Novembro de 2012

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